Pacatos cidadãos dificilmente reunirão as características necessárias a uma análise do atual processo eleitoral brasileiro, algo tão difícil quanto subir o Everest carregando o Minotauro nas costas. E minhas ironias não ajudam em nada essa tarefa. As inteligências artificiais talvez consigam esclarecer os contextos. Abaixo, o triunfo do pessimismo.
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O drama brasileiro evoluiu à categoria de terror psicológico e caminha a passos largos para um body horror.
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Os corajosos ministros do STF, aqueles que supostamente salvaram a democracia brasileira, começam a organizar um acordo com os parlamentares eleitos. Oferecerão o que for para livrar a pele, anistia aos golpistas inclusive, uma espécie de salve-geral a ser celebrado com charuto, uísque e orgia.
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Há que se negar investimento ao Brasil. Em terra arrasada não se investe.
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A extrema-direita é um bicho-papão: alimenta-se de infantilidades. A extrema-esquerda é igualmente expert em histórias da carochinha. Ambas chegaram à mesma conclusão: o eleitor brasileiro adora um faz-de-conta.
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Quem está acabando com o que sobrou do Brasil não é ninguém menos do que a Geração Coca-Cola cantada pela Legião Urbana. Aquela que iria cuspir de volta o lixo empurrado pela sociedade fez o quê? Aprendeu as manhas do jogo sujo e aderiu a ele.
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Chegamos a um ponto no Brasil em que mesmo os otimistas estão desconsolados.
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Terceira via: Caiado cansado, reticente, e seu partido soa indiferente à presidência. Cury, do partido de Gim Argello, prioriza seu público leitor, não o eleitor. E esquisito por esquisito, o eleitorado do Zema prefere Flávio, esquisito da gema. Essa eleição é um bacanal manicomial.
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A disputa pela sucessão de Lula como líder da esquerda começou e Flávio Dino saiu na frente. Esses Flávios não se enxergam.
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Os brasileiros foram capturados por uma catatonia existencial.
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Só por milagre (de algum santo desconhecido) o mísero voto resolverá tal nível de vagabundagem institucional.
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Frustrações com o governo não justificam o voto em partidos extremistas (AfD, Chega, PC). E isso por uma questão de princípio. Votar nesse tipo de gente revela uma degradação moral que conduz à relativização dos valores humanistas e à consequente desumanização dos indivíduos.
Sem um muro de princípios e valores humanistas, os instintos avançam, com consequências bem conhecidas. Povos que caem na armadilha da desumanização não saem impunes. Assim ocorreu com a Alemanha, assim ocorre com o Brasil, assim ocorrerá com os USA. Decisões grotescas têm resultados grotescos.
Ter o maquiavelismo, a realpolitik e o pragmatismo como estratégia para melhorar de vida significa transferir aos instintos o comando da sociedade. Neste contexto, de nada adiantará apelar à razão ou à misericórdia quando as bombas começarem a cair em seu bairro. O humanismo há de dar os limites.
De Emílio Rodrigué: “O pragmatismo induz à indiferença, como se as decisões não tivessem consequências. O pragmatismo é inconsequente”.
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Bolsonaristas escondem uma paixão da qual se envergonham profundamente. Isso explicaria por que fingem não ver o lixo espalhado em seu paraíso. Petistas fazem a mesma coisa. Que paixão secreta seria essa?
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Flávio telefonava a Vorcaro pedindo uma luz enquanto o banqueiro enxergava um giroflex no fim do túnel.
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Natural que a Faria Lima esteja empolgada com Flávio. O que mais tem por lá é gestor sonhando em virar o próximo Vorcaro.
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Candidato reconhece que seu eleitorado é do tipo que ora pra alienígena e bebe detergente. Gado alucinado na manjedoura manicomial. É o PL liderando o grito dos esquisitos.
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Candidatos querem manter a militância em transe histérico. Porque se ela passar a pensar, eles já eram.
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Populacho a descobrir o que é o Judiciário brasileiro, realidade que os íntimos conhecem há décadas.
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Com relações tão boas quanto essas - milicianos - Flávio há de tirar o Brasil do atoleiro e transformá-lo num exemplar Rio de Janeiro.
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Gonet merece passar o resto da vida fumando charutos com gente da sua espécie, os babacas.
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Somente um povo que renunciou a toda dignidade é capaz de aceitar isso o que é imposto aos brasileiros. Que engolem uma humilhação atrás da outra e veem nisso um ato de esperteza. Depositam no altar dos crápulas toda a energia de seus instintos e quando acordam, estão numa pocilga.
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Não será com o voto que o Brasil reverterá o caos. O cenário atual exige uma postura bem mais contundente do eleitorado.
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Curral eleitoral é uma expressão bem brasileira. Remonta aos tempos dos coronéis, senhores feudais que fizeram do clientelismo a estrutura de poder nacional. Políticos prometem, a cada eleição, alforriar o eleitorado, abrir as porteiras; eleitos, nada mais fazem senão trocar a marcação no couro do vivente. Não passam de ladrões de gado. Abigeatários.
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Off topic. Trump é idoso, caminha à decrepitude e deve morrer antes que a justiça o alcance. Quanto a seus apoiadores, o futuro há de chegar mais devagar. O que significa essa loucurada toda do Trump? A meu ver, ele quer apenas criar distração enquanto enche os bolsos e ajuda seus sócios russos. Todo narcisista acredita que viverá para sempre.
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Do meu ponto de vista, petistas e bolsonaristas divergem apenas nos métodos que usam para roubar os brasileiros. O resultado final será o mesmo seja lá quem for o eleito. Estão ambos a linchar o Brasil.
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Alexandre de Moraes salvou a democracia brasileira? Não. Ele salvou a si mesmo. Pois os golpistas planejavam não apenas prender os ministros do STF: pretendiam matar alguns deles. Moraes agiu para livrar seu pescoço e se vingar dos bolsonaristas. Salvar a democracia foi mera coincidência.
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Ministros do STF estão a patrocinar um dos eventos mais grotescos, nauseabundos e pecaminosos da história da República bem abaixo da imagem de Cristo que jaz na parede do plenário. Sacripantas.
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Cabaré Brasil nível Serra Pelada.
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Que o judiciário brasileiro esteja repleto de tchutchucas não é novidade. O que causa assombro é a baixíssima qualidade das tchutchucas atuais. Antes tentavam ao menos imitar o decoro: hoje é um exibicionismo grotesco, carnes medonhas a sambar nuas sobre o lixo. Fechar os olhos nada mais faz senão realçar o fedor.
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Temo que essa decisão do vivaldino (suspendendo o julgamento de Moraes) leve à eleição de Flávio, talvez até no primeiro turno. E isso mesmo que apareçam vídeos de orgias senatoriais ou flagrantes de dinheiro em calcinhas.
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Só para constar: histórico é o julgamento, a pretensão de se punir um magistrado flagrado em condutas suspeitas; a corrupção em si, essa é cotidiana e normalizada no Brasil inteiro. O que nos causa assombro, pois, é estarmos diante de uma exceção (a confirmar) à regra da impunidade.
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Vorcaro abocanhou juízes e filhos de juízes. Seu tchutchuqueiro só aumenta. E é só um entre tantos tchutchuqueiros em Brasília. O Judiciário brasileiro perdeu a compostura, o decoro e a razão de existir: foi transformado em uma colônia de parasitas.
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Jovens aprendem pelo exemplo. E que exemplo lhes têm dado as instituições em especial e a sociedade em geral? Incutam na juventude toda sorte de vício. Velhos tolos, hão de sofrer num dia uma geração inteira de horrores.
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Uísque, charuto, jatinhos, gostos pra lá de kitsch, umas vidinhas cheias de clichês, teatrais, fantasiosas, descaradamente fakes. Essas tchutchucas de Brasília são de uma cafonice monstruosa.
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Estratégia de Flávio Bolsonaro para atrair o voto feminino pode dar certo. O que mais tem no Brasil é mulher de bandido, verdadeiro fetiche do feminismo tupiniquim. Hibristofilia, a irmã do masoquismo.
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O berço esplêndido em que o Brasil se encontra eternamente deitado é na verdade uma cova rasa numa restinga degradada.
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Com tanto Rolex rolando em Brasília, em tribunais, tribunas e cabarés, era pro Brasil ver-se bem menos atrasado.
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Parasitismo no serviço público, quanto a seus efeitos, equivale à corrupção.
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Jovens de hoje terão de pagar uma dívida pública gigantesca, fruto da irresponsabilidade de políticos e da ganância de certos servidores. Entrarão na vida já endividados: o pecado original de nascer brasileiro.
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A diferença entre esquerda e direita reside tão somente nas desculpas que cada um dos lados inventa para nos roubar.
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Nepotismo. Expressão defeituosa de um DNA vencedor. E vice-versa. É o triunfo da meritocracia extravagante: aquela que espreme a teta até a última gota.
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O fato de eu, vez ou outra, lançar comentários políticos, não enseja a conclusão de que eu ainda acredito no Brasil. Não acredito. Desisti faz tempo. E à exceção das crianças e dos animais, não lamento o destino dos brasileiros. Merecemos o que temos.
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Da obra de Luiz Gonzaga, o Gonzagão: Concerto para Cordas e Trio Pé de Serra